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Escola de Mergulho - Sagres
Sagres - temp.
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Sagres – Fim do mundo
End of the road - Vós encontrareis o Promontorium Sacrum ? Cabo de S. Vicente (Sagres). Este cabo deu nome à costa vicentina do Algarve – Portugal. Este pequeno paraíso em todos os aspectos, principalmente no mundo subaquático, sendo considerado um dos melhores sítios de mergulho do mundo. A Divers Cape, centro e escola de mergulho, certificada pela PADI, está inserida no Parque Natural da Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Os guias da Divers Cape leva-o a desfrutar e a descobrir segredos e belezas escondidas em naufrágios da 1ª e da 2ª guerras mundiais, em cavernas e grutas e em recifes cheios de vida e de muita cor. A Divers Cape providencia cursos com certificações internacionais, desde o básico até aos níveis profissionais. 
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INFORMAÇÕES GERAIS - A Vida entre as marés
Percebes 
Para conseguir sobreviver às variações, geralmente rápidas, de clima e das condições químicas ocasionadas pela subida ou descida das marés, os animais que vivem nos litorais marítimos têm de possuir uma excepcional capacidade de adaptação. Por um lado são forçados a resistir ao embate das ondas durante a preia-mar; por outro, à dissecação provocada pelo sol e pelo vento durante as maré baixa. Além disso, têm de suportar os diferentes graus de luz, calor e salinidade a que são submetidos consoante estejam submersos na água ou expostos ao ar. Para se adaptarem a estas circunstâncias, recorrem à sua resistência física e ao seu instinto de conservação, que, por exemplo, durante a maré baixa, os leva a deslocar-se para as fendas húmidas, sombrias e frescas.
As orlas marítimas:
Existem três tipos de orlas marítimas – rochosas, arenosas e lodosas – e quem cada uma delas predomina um meio ambiente muito característico, ao qual uma série de grupos distintos de animais conseguiu adaptar-se.As costas rochosas estão expostas à acção directa das ondas, pelo que, ao serem batidas pela água e pelos seixos que o mar lança contra elas, até as rochas de maior se vão desgastando lentamente, fazendo que o mar acabe por formar uma espécie de plataforma de erosão, ou seja, uma faixa de rocha corroída que se converte numa gruta ou numa espécie de tanque onde pode viver uma surpreendente variedade de plantas e animais marinhos. Quando a maré baixa, os animais que vivem nos litorais rochosos, têm de enfrentar o problema da dissecação, para o que se isolam do ar nas suas conchas espessas, vivem em charcos ou escondem-se nas fendas dos rochedos. Assim, aos locais mais protegidos das costas rochosas ocorre o maior número de animais, que lutam arduamente para aí se estabelecerem.

A sua população:
A população animal que vive nas fendas varia segundo a parte do globo onde se localiza a costa, e entre esta variedade de animais estão incluídos esponjas, anémonas, hidróides, ouriços-do-mar, estrelas-do-mar, mexilhões, lapas, ostras, ratos-do-mar, camarões, caranguejos, lavagantes, marachombas e o nosso perceve, tão característico da costa vicentina, sendo pois deste belo exemplar que vamos saber mais. Sob as pedras, as ervas daninhas e os charcos encontra-se uma série de animais que resistem com maior dificuldade à exposição ao ar. O perceve protege-se protege-se da dissecação e do embate das ondas recolhendo-se na sua carapaça, que retêm a humidade e é formada por seis placas duras, cobertas por outras quatro articuladas, as quais, quando a maré sobe, se abrem para dar passagem a seis pares de patas plumosas que se estendem pela abertura e com as quais o animal recolhe a água e o plâncton de que se alimenta. Pollicipes pollicipes (Gmelin, 1790), cujo nome vulgar é percebe, é um crustáceo cirrípede que se distribui sobretudo na zona intertidal de substrato duro de Portugal Continental. No nosso país, o percebe é o recurso económico mais importante da zona entre marés.

Hermafrodita:
P. pollicipes pode ser considerada uma espécie hermafrodita simultânea, com uma ligeira tendência protândrica, tendo os tamanhos mínimos de maturação sexual feminina e masculina sido de 12.5mm (distância máxima entre as placas rostrum e carina, RC) e 10mm (RC), respectivamente. Alguns autores sugerem que a reprodução por fecundação cruzada - isto é, um indivíduo troca gametas com outro, ao invés de fecundar-se a si mesmo - é o modo de fecundação preferencial da espécie. A fecundação ocorre na cavidade do manto e duas lamelas de ovos são formadas. Os ovos desenvolvem-se nesse local até eclodirem, liberando larvas na forma de náuplios. As larvas passam por sete estágios em que podem nadar livremente por pelo menos um mês. As larvas são náuplios durante seis estágios e assumem uma forma, usualmente chamada cypris, no sétimo, quando procuram um ponto para se fixar. Após esse tempo, eles tomam a forma adulta, séssil.

Onde preferem viver:
A presença de percebes em densidades elevadas no litoral sudoeste português verifica-se em locais com elevado hidrodinamismo, como superfícies rochosas de declive acentuado, frestas mais ou menos estreitas e grutas, e directamente expostas à ondulação dominante de noroeste. Foram observadas variações acentuadas da sua abundância a uma pequena escala espacial, nomeadamente relacionadas com a orientação e o declive do substrato. P. pollicipes distribui-se de forma gregária, sobretudo na zona intertidal, podendo também estender-se subtidalmente. Na zona intertidal, é mais abundante até cerca de 3 a 4 metros acima do Zero Hidrográfico. Nesta zona, os taxa mais abundantes observados juntamente com P. pollicipes foram: Corallina officinalis, Patella aspera e “Lithothamnia” (conjunto de espécies de algas rodofíceas encrustantes). No litoral sudoeste português, são ainda numerosas as áreas em que o percebe foi considerado abundante (ex.: Cabo de Sines; Cabo Sardão; Pedra da Atalaia; Pontal da Carrapateira; Cabo de São Vicente).

Fecundação:
Os ciclos gametogénicos de P. pollicipes (animais com RC superior ou igual a 15 mm) foram considerados similares nos habitats de cima e de baixo. Durante todo o ano, foi observado o armazenamento de esperma nas vesículas seminais, apesar de os testículos serem escassos e não conterem esperma entre Outubro e Dezembro. Durante o resto do ano, os “machos” (parte masculina de cada indivíduo) apresentaram um número elevado de testículos. Quanto à gónada feminina, observou-se que esta se encontrou em repouso desde Outubro até Janeiro e activa de Março a Setembro. Apesar de não ter sido descrito o processo de acasalamento em P. pollicipes, os resultados deste trabalho sugerem que a fecundação cruzada é o modo de fecundação preferencial desta espécie. A fertilização ocorre na cavidade do manto e são formadas duas lamelas de ovos. Neste local, os ovos desenvolvem-se até eclodir sob forma de larvas nauplius. Os indivíduos com ovos em estados incipientes de desenvolvimento apresentaram sempre o ovário degenerado, sugerindo que a degeneração do ovário é indicadora de fertilização recém-ocorrida, pois nunca se observou degeneração do ovário e ausência de ovos no mesmo exemplar. No período inicial e médio de reprodução (Março a Agosto) e na maioria dos animais, o ovário recuperou ao mesmo tempo que os embriões se desenvolviam na cavidade do manto de um mesmo indivíduo. No final do período reprodutivo (Setembro e Outubro), a recuperação do ovário foi mais lenta que o desenvolvimento embrionário.
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